Grandes planos

(publicado no jornal Meia-Hora, 22/11/2007)

De acordo com uma notícia de segunda-feira passada, o líder do PSD tem planos, e não são pequenos. Até parece que já ouço as acusações de temeridade. É que Menezes propõe-se fazer algo de muito grande: Menezes propõe-se ganhar a Junta de Freguesia de Caldas de São Jorge, em Santa Maria da Feira. Segundo ele, trata-se de “castigar de forma irreversível o governo do PS”: votar no PSD em Caldas de São Jorge “é também votar no PSD em 2009”. Segundo nos explica, Caldas de São Jorge será apenas a primeira vitória de um ciclo que conduzirá inevitavelmente o PSD ao governo nacional. Eis o líder que foi apresentado com temor como o “populista” que ia transformar radicalmente o PSD. O líder que, no seu primeiro discurso enquanto tal, propôs nada menos do que uma “nova Constituição” para o país. Onde começou e tão alto que já vai.

É fascinante o fluxo de ideias notáveis que quotidianamente brota do PSD. Talvez se pudesse pensar que o PSD devesse ser o protagonista de uma série de propostas arrojadas para alterar as condições insatisfatórias do sistema de educação, do sistema de saúde, do sistema de segurança social, para não falar de uma solução sustentável para as finanças públicas. Não, o PSD visa muito mais alto: conquistar a Junta de Freguesia de Caldas de São Jorge. Haverá quem ridicularize o plano, mas a verdade é que se trata de uma claríssima aplicação do moderno mote: “pensar ao nível global, actuar ao nível local”.

O candidato do PSD em Caldas de São Jorge oferece um programa espantoso, cuja réplica a nível nacional constituirá uma evidente fórmula de sucesso: “colocar ecopontos em toda a freguesia, passadeiras em locais perigosos, recuperar o parque escolar e mexer na sinalética”. A transição para o plano nacional é óbvia. A segurança social ameaça ruptura? A resposta é evidente: “colocar ecopontos” em todo o país. Há meio milhão de pessoas em fila de espera nos hospitais? Muito fácil: basta “mexer na sinalética”. Quem começava a recear a perpetuação de Sócrates e do PS no governo vê agora abrir-se um esperançoso horizonte alternativo. Afinal, há um partido disposto a ir ao mais fundo dos fundos. Um partido disposto a fazer o que muitos tentaram mas jamais atingiram: um partido disposto a “mexer na sinalética”.

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