O que fazer?

(Publicado no jornal Metro, 3/2/2010)

A situação da economia portuguesa é muito pior do que aquilo que o debate político deixa entender. Não se trata de crescer 0,7%, 1% ou 1,2% no próximo ano ou nos próximos três. Trata-se de crescer de forma suficientemente rápida e sustentada num horizonte temporal razoável. E aí não se está bem a ver como poderão as coisas melhorar. Desde que aderiu à União Económica e Monetária (vulgo, euro) em 1999 que Portugal se enfiou num colete-de-forças económico de que terá muita dificuldade em sair. Pertencer ao euro significa ter a mesma moeda do que a Alemanha, a França, a Holanda ou a Dinamarca, mas apenas cerca de metade da sua produtividade. Ou seja, significa condenar ao desaparecimento as actividades que têm de competir com as dos outros países também cobertos pelo euro. No final deste processo de destruição sobrarão apenas aquelas unidades com produtividade equivalente à dos nossos parceiros. Mas quantas são? Certamente muito poucas.

É um problema que nos acompanha desde inícios da década de 90. Na altura, foi possível ultrapassá-lo com a procura interna, impulsionada pela despesa pública. Do que resultou o último episódio de crescimento robusto, entre 1995 e 2000. Mas quando as contas começaram a aparecer desequilibradas de forma insustentável (2002), foi preciso travar o crescimento da despesa pública. Nessa altura, ao torniquete do euro juntou-se o torniquete da procura interna e o resultado está à vista: dez anos de afastamento do PIB per capita português relativamente aos países desenvolvidos. Restam poucas soluções: aumentar a produtividade – o que é impossível no curto prazo; sair do euro – que é impossível sem pôr em causa a credibilidade externa do país; baixar os salários até serem congruentes com a produtividade do país – impossível em termos sociais. O que fazer? Só esperar por uma espécie de bambúrrio à irlandesa. Quem aposta nisso? Ou então esperar que Portugal se transforme numa economia subsidiada pela UE. Quem o quer? Cá como lá?

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