Archive for Janeiro, 2010

Não digo que não

Janeiro 29, 2010

As pessoas esforçadas são de apreciar. Ultimamente, muitos têm-se esforçado por mostrar que os problemas da dívida pública portuguesa são as agências de rating. É um esforço louvável, como qualquer outro, mas não vale a pena o exercício de denial. Falam-nos da venda de títulos gregos na passada 2ª feira. Mas esquecem-se de dizer que só foi possível graças a um prémio acima do spread então em vigor e sempre com a possibilidade de salvamento por parte da Alemanha (que ainda não está excluída). Entretanto, o spread da dívida grega voltou a atingir máximos, mesmo com a possibilidade de salvamento pela Alemanha. Sorry folks, a Grécia e Portugal têm mesmo um problema de endividamento, público e externo. Mas sobretudo têm um problema mais grave: más perspectivas de crescimento económico no futuro. É relativamente a isso que os mercados (não as agências) apostam.

Nós podemos dizer mal das agências de rating à mesa do café (que bem merecem), mas um ministro das Finanças já não é bem assim. A menos que esteja a seguir a estratégia suicida, a qual até é capaz de não ser a mais errada. Quer dizer, não falo de suicído a sério (que é sempre uma hipótese a considerar, não digo que não), mas de qualquer coisa do género: vamos rebentar com isto tudo (défice, dívida e tudo), a Alemanha fica mesmo em pânico de que o euro acabe e salva-nos. É uma estratégia, não digo que não.

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O estado actual da obamofilia

Janeiro 29, 2010

(Publicado no jornal Metro, 28/1/2010)

Passou um ano sobre o evento que ia mudar a História do mundo, a chegada de Barack Obama à presidência dos EUA. Passou um ano e nunca a aprovação pública de um presidente se reduziu tão rapidamente no seu país. Como foi possível passar-se da admiração estratosférica de há doze meses para a corrente decepção? Haverá muitas razões, mas uma particularmente importante terá que ver com a interpretação do significado da palavra-chave da campanha: “change”, “mudança”. Para muitos votantes em Obama (de direita e de esquerda), “mudança” significava uma efectiva mudança relativamente aos códigos políticos tradicionais. Obama podia personificá-los: era o primeiro candidato negro que não se socorria da retórica de vitimização negra, era o homem de esquerda que louvava Reagan e o homem de esquerda que afirmava querer acabar com as divisões estéreis entre esquerda e direita. Mas uma vez eleito, passou a uma interpretação mais restrita da palavra. Mudança era apenas mudança face aos anos de Bush. De repente, como uma viagem no tempo, estávamos de novo na segunda metade dos anos 90: os Clinton enchendo os ecrãs de televisão, velhas luminárias desses tempos (de Al Gore para baixo) desmultiplicando-se em aparições, um novo plano de saúde (como o velho de Hilary), etc. E depois, longe da ponte com o outro lado político, Obama governa (tanto interna quanto externamente) de acordo com os mais estafados clichés da esquerda americana.

A recente eleição de um senador republicano pelo Massachussets (uma espécie de eterna coutada democrata) é um primeiro sinal da mudança contra a mudança de Obama. O Massachussets não podia votar republicano. Mas a traição ao mote da “mudança”, juntamente com a típica auto-indulgência democrata e a pose de direito natural ao poder (que Obama tão bem adoptou uma vez eleito), tornaram o impossível possível. O eleitorado americano anda à procura de verdadeira mudança. E talvez não tenha acertado com Obama. Ele que se cuide.

Freudian slip

Janeiro 28, 2010

Governo merece o benefício da dívida.

We can’t f… do anything else…

Janeiro 27, 2010

É o resumo do OE. A menos que queiramos pensar o impensável, o que também não é nada bom.

The Scramble for Haiti

Janeiro 25, 2010

“O Haiti não é L’Aquila”.

O toque de Midas

Janeiro 23, 2010

U.S. Stocks Tumble to Cap Biggest 3-Day Plunge Since March

European Stocks Fall as Banks Drop on Obama Limits to Trading

Acordos orçamentais

Janeiro 22, 2010

(Publicado no jornal Metro, 21/1/2010)

A trepidação é grande com o hipotético acordo parlamentar para o Orçamento do Estado. Perante as ameaças dos mercados de capitais à dívida pública portuguesa, vai ganhando corpo a ideia de que só um entendimento entre os partidos permitiria a adopção de “medidas difíceis”. Toda a gente parece ter em mente os programas com o FMI de há trinta anos, particularmente o segundo, sob o “Bloco Central”. Mas o que poderia fazer tal acordo? Uma proporção que rondará os 70% a 80% da despesa pública é pura e simplesmente incompressível. Os factores de crescimento das pensões são independentes das condições de crescimento da economia; o SNS expande-se também ao seu ritmo próprio; os professores obtiveram agora um magnífico acordo de carreiras, que vai punir pesadamente os orçamentos futuros. Não é por acaso, portanto, que se ouve por aí dizer que os partidos poderão estar de acordo sobre o “congelamento” de salários e carreiras da Função Pública. Trata-se, de facto, da única grande rubrica orçamental permitindo discricionariedade do governo. Outra é o investimento público, mas os montantes são muito menores. Tirando isto, só resta, realmente, subir impostos.

A pergunta é: vale a pena fazer alguma destas coisas? O que vale a pena é ter crescimento económico. Mas o crescimento não vai voltar enquanto persistirem as actuais condições da economia. O euro não deixa as exportações liderarem o crescimento, e nem se trata de o desvalorizar: os nossos parceiros comerciais também o têm, pelo que seria mais ou menos irrelevante. O crescimento poderia vir pela procura interna, mas todas as ideias de “medidas difíceis” significam a sua redução. No tempo do Bloco Central a despesa não era tão rígida e a desvalorização deslizante do crawling peg permitia um certo crescimento das exportações. Então não se pode fazer nada? E os ratings? E a dívida? Pois. Tivéssemos pensado nisso antes. Agora, talvez seja altura de pensar o impensável.

Enya? Os Eurythmics? Salvem os miúdos

Janeiro 21, 2010

Cougar.

It’s alive…

Janeiro 20, 2010

É como no Chile (é como em todo o lado, na verdade), os fascistas estão vivos e de volta:

Scott Brown didn’t just defeat Martha Coakley in the Massachusetts Senate race. He also defeated a hardy band of political clichés. That Republicans can’t win Senate races in deep-blue Massachusetts. That the state is devoted to “the Kennedy legacy.” That the Republican party has become hostage to extremists who would rather lose than support a pro-choice candidate. That the GOP has become a southern regional party. That what Democrats call “health care reform” is a fait accompli. That President Obama has magical powers of persuasion.

Remember the inauguration?

Janeiro 15, 2010

 1. We’re at the first anniversary of the inauguration of President Barack Obama, and the slug, the word that captures its essence, is “Disconnect.” This is, still, a surprising word to use about the canny operatives who so perfectly judged the public mood in 2008. But they haven’t connected since. There is a disconnect, a detachment, a distance between the president’s preoccupations and the concerns of the people. There’s a disconnect between his policy proposals and the people’s sense, as expressed in polls, of what the immediate problems are.

2. What went wrong? A year ago, he was king of the world. Now President Obama’s approval rating, according to CBS, has dropped to 46 percent — and his disapproval rating is the highest ever recorded by Gallup at the beginning of an (elected) president’s second year. A year ago, he was leader of a liberal ascendancy that would last 40 years (James Carville). A year ago, conservatism was dead (Sam Tanenhaus). Now the race to fill Ted Kennedy’s Senate seat in bluest of blue Massachusetts is surprisingly close, with a virtually unknown state senator bursting on the scene by turning the election into a mini-referendum on Obama and his agenda, most particularly health care reform. A year ago, Obama was the most charismatic politician on earth. Today the thrill is gone, the doubts growing — even among erstwhile believers.