Estados de direito

Pois, a educação, o progresso e tal. Amanda Knox, a estudante americana de intercâmbio acusada de assassinar uma colega inglesa na cidade italiana de Perugia, foi condenada a 26 anos de prisão por um júri num tribunal italiano. Tanto quanto se consegue perceber, a evidência é muito ténue, tendo contado sobretudo os preconceitos que a acusação conseguiu instalar na opinião pública (entre outras coisas utilizando os media) relativamente ao carácter manipulativo e dissimulado das mulheres (em especial jovens), mas sobretudo à absoluta maldade representada pelos americanos: “Luciferina” e “mulher-diabo” foram das melhores coisas que se ouviram pela acusação. Em Itália, foi assim. Em Inglaterra, há satisfação por a “sua Meredith” ter sido vingada, ainda para mais na pessoa de uma malévola americana. Nos EUA, a culpa não é de Amanda, mas de um terceiro indivíduo, por acaso operário da construção civil e preto. Estamos sempre a queixar-nos de que a nossa justiça não é célere. Pois esta foi. Tão célere que despachou uma rapariga de 22 anos para a prisão durante 26 anos quando as dúvidas razoáveis são mais que muitas. Mas a opinião pública local foi acalmada com um bom enredo: uma jovem bonita mas americana e má, que veio perturbar  a vida da velha e pacata cidade medieval, recebeu o tratamento merecido.

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