Silêncio

O que o caso das mensagens de email da Universidade de East Anglia sobre o aquecimento global revela é algo de que os mentideros académicos estão cheios: muita gente suspeita que certos académicos “martelam” dados para obter certos resultados; muita gente suspeita que alguns académicos nunca mostrarão dados de base, com medo de verem as suas conclusões questionadas; toda a gente sabe que o processo de peer-reviewing é facilmente instrumentalizado para impedir a saída de certos artigos e a promoção de certas conclusões. E depois há a grande técnica académica para obter o mesmo resultado, e que também aparece nos emails: o silêncio. Milhares de páginas podem ser escritas sem referência a determinado autor ou artigo, para manter o “espaço” ou para evitar questionamentos ou simplesmente chatices. A diferença está em que estas salutares práticas normalmente não afectam ninguém a não ser os 50 académicos que se dedicam a determinado tema (digamos, a verdadeira autoria do retábulo de Santos-o-Novo), mas é muito diferente quando milhões de euros estão envolvidos e os “líderes do mundo” se preparam para tomar grandes decisões. Já muito dinheiro foi gasto e muitas expectativas alimentadas para agora declarar a Conferência de Copenhaga comprometida por meras questões de falsificação de dados. É claro qual vai ser a técnica seguida pelos responsáveis políticos, e que não é exclusiva de académicos: o silêncio.

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