Archive for Dezembro, 2009

2010: Space Oddity

Dezembro 31, 2009

Bem sei que os artigos eram uma merda e já foi há muito tempo, mas eu também fui despedido pelo Marcelino. Nunca ninguém me defendeu (chuif…).

Só não percebo é porque passos-coelhistas e socratistas são tão amigos. Não pode ser só por causa da tal história dos painéis solares ou lá o que é. Deve haver aqui outra coisa qualquer muito importante para o país que me está a escapar. É já para o ano que vamos ficar a saber.

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Lista de 2009

Dezembro 31, 2009

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E não têm mais nada para fazer?

Cheap tricks

Dezembro 31, 2009

Certos economistas e certos políticos gostam de Keynes porque Keynes inventou uns truques económicos com resultados políticos. Não propriamente pela sofisticação da teoria. No essencial, a sua proposta corresponde à generalização ao nível da economia da seguinte ideia de senso comum, que todos vamos praticando nas nossas vidas: se estás em dificuldades e não queres (ou não podes) poupar, endivida-te ou fabrica dinheiro. Claro que não podemos fazer a segunda, mas o Estado pode. Depois, trata-se de rezar para que as coisas melhorem. A parte da reza não vem em Keynes, evidentemente, mas está lá implícita. É esta sofisticação que se tem visto também por aí. Basta ler os artigos do Nobel Krugman, cuja única coisa que fazem é, semana a semana, repetir: é precisa mais despesa pública, é precisa mais moeda.

Muitos economistas voltaram agora a Keynes para se redimirem daquilo que é visto como o seu fracasso no desencadear, na falta de previsão e na falta de medidas para prevenir a crise. Lembraram-se, como seria de esperar, do economista mais influente na política económica do século passado (e talvez de todos os tempos). E a sua ideologia corrente é: não previmos a crise e não fizemos nada para a evitar antecipadamente (para muitos, isso não teve nada que ver com eles: foi culpa do neoliberalismo), mas salvámos o mundo de uma nova Grande Depressão, graças à magnífica ideia de baixar as taxas de juro, aumentar os défices e aumentar a dívida pública. Eu cá preferia outra coisa e duvido seriamente da bondade disto tudo. Mas para nosso bem esperemos que esteja certo, já que foi nesse barco que embarcámos. Esperemos que esteja pelo menos mais certo do que o próprio inspirador original (v. vídeo acima) quando, em 1931, previu um futuro radioso depois do abandono do padrão-ouro pela Grã-Bretanha. Na verdade, essa terá sido uma das mais importantes medidas a desencadear a catástrofe seguinte: crise dos anos 30 e, talvez em consequência da crise, a II Guerra Mundial.

200%

Dezembro 29, 2009

It’s hard to see how Friday’s budget passes the laugh test. For the first time since World War II, the budget will be funded more by bond issuance than tax receipts, sending debt-to-GDP spiraling toward 200%.

O fim da influência?

Dezembro 29, 2009

Um artigo interessante, embora cheio de erros, em particular o lugar-comum de que temos vivido num mundo “neoliberal” (sim, outra vez…). Na verdade, temos vivido no mundo do Estado-Providência (que certamente inclui a propriedade privada e será mais liberal do que o socialismo hard-core, mas que tem tanto de liberal como de socialista). Vale pelo artigo, mas vale também logo pelo primeiro comentário que lhe é feito:

Well, there was a time back in the 80’s, when you couldn’t pick up a newspaper or magazine without seeing an article about how Japan was the new international economic heavyweight and how, before long, Japan was going to own just about everything. How did that turn out? No offense but, regardless of how good the future looks for China right now, do not underestimate the ability of people to screw things up.

Eu também me lembro. E também me lembro do tempo em que a URSS não só estava para durar como havia dúvidas sobre se não seria mais próspera do que os EUA (e dúvidas mesmo sobre se não seria uma democracia). Salvo erro, era aí por volta de 1988.

“As cadeiras são arquitectura, os sofás são burgueses”

Dezembro 27, 2009

Le Corbusier was to architecture what Pol Pot was to social reform. In one sense, he had less excuse for his activities than Pol Pot: for unlike the Cambodian, he possessed great talent, even genius. Unfortunately, he turned his gifts to destructive ends, and it is no coincidence that he willingly served both Stalin and Vichy. Like Pol Pot, he wanted to start from Year Zero: before me, nothing; after me, everything. By their very presence, the raw-concrete-clad rectangular towers that obsessed him canceled out centuries of architecture. Hardly any town or city in Britain (to take just one nation) has not had its composition wrecked by architects and planners inspired by his ideas.

No meu tempo é que o Natal era bom

Dezembro 26, 2009

Para a eternidade:

Não há mais pôr-do-sol em Sunset Boulevard

Cai neve em Nova Iorque

Ninguém vai me encontrar

A vida e a casa

Dezembro 23, 2009

O João, na sua eterna misericórdia, lembrou-se de me perguntar qual era o meu filme da década. Obrigado, João (há quanto tempo?). Não consigo dar só um, mas também não me custa excluir quase todos, até por não ser muito de listas. Assim, mais ou menos por esta ordem: Gran Torino, Clint Eastwood, Up, Pete Docter, Little Miss Sunshine, Jonathan Dayton e Valeri Faris, e A.I., Steven Spielberg. Reparo e constato duas coisas: uma, são todos sobre a infância ou a velhice, ou sobre a infância e a velhice. Não deve ser por acaso, até porque são os dois momentos trágicos da vida: quando tudo é possível e quando já mais nada é possível e se trata de dar sentido ao que ficou para trás. A outra coisa é que são todos sobre o velho tema homérico da viagem e do regresso a casa e à família, vendo bem outra metáfora sobre a vida e a morte. Cada filme dava para expender páginas e páginas. Não vale a pena, até porque me faltam os dotes.

Última hora

Dezembro 20, 2009

Parece que o mundo vai mesmo acabar. E todos vocês negacionistas, cépticos, ignorantes, bushistas, capitalistas, neoliberais, repugnantes, fascistas, foleiros, estejam descansados: a culpa não foi vossa.

Pegadas

Dezembro 19, 2009

Prince Charles is so famously concerned about the environment that he’s known as the Green Prince. Just for the record, his annual carbon footprint is 2,601 tons. The carbon footprint of an average Briton (i.e., all those wasteful, consumerist, environmentally unsustainable deadbeats) is 11 tons. To get him to Copenhagen to deliver his speech, His Highness was flown in by one of the Royal Air Force’s fleet of VIP jets from the Royal Squadron. Total carbon emissions: 6.4 tons. In other words, the Green Prince used up seven months’ of an average Brit’s annual carbon footprint on one short flight to give one mediocre speech of alarmist boilerplate.