Sim, e agora?

Os paladinos adventícios do Estado de direito não merecem grande atenção – toda a gente percebe o oportunismo do exercício. De resto, todos somos muito amigos das garantias do Estado de direito quando nos encontramos na situação de perseguidos; assim como nos esquecemos delas logo a seguir quando perseguimos alguém. A esquerda, então, com aquele seu sentido proprietário da razão, é especialista nisso.

Isto pode ter muito interesse, mas, e depois? Depois disto alguém mete as mãos no fogo por alguém? Alguém está disposto a entrar no bas-fond que é hoje a actividade política? Se ao menos houvesse lá mulheres bonitas, como noutros bas-fonds… Não confundam: sempre houve bas-fond na política. Não tenho a ideia de que ela tenha sido constituída por anjinhos até ao “caso” Freeport. A história é, aliás, longuíssima. Mas até há pouco, no nosso regime, o bas-fond, a ambiguidade moral, praticavam-se em nome de qualquer coisa que tinha um interesse superior: um projecto de sociedade, uma mudança, uma ideia. É esse interesse que agora me escapa. E como certamente escapará a muita gente, a actividade vai sendo devolvida a quem alegremente se compraz na sordidez pela sordidez. A questão continua: e agora?

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