Obrigado e umas correcções

Agradeço ao Paulo recomendar um texto meu que não é assim grande coisa e devo notar umas incorrecções na versão publicada. Eu começo no artigo por dizer: “Não vi o filme”, mas o jornal publicou “Ainda vi o filme”; mais à frente digo que a “sociedade ocidental precisa de bufões”, mas o jornal publicou “a sociedade ocidental não precisa de bufões”. É bastante diferente e sobretudo altera completamente o significado que quis dar ao texto. Não é grave, uma vez que ninguém está à espera de encontrar ideias formidáveis naquilo que vou escrevendo. Mas pelo sim pelo não publico aqui a versão original:

Moore is less

(Publicado no jornal i, 3/10/2009)

Não vi o filme. Apenas posso comentar o trailer, as informações que vão saindo e as declarações de Moore. Consta que o filme denuncia a promiscuidade entre Wall Street e Washington (o “complexo político-financeiro”) e acaba ao som da Internacional, depois de Moore tentar envolver Wall Street com fita amarela policial. É giro. E o “complexo político-financeiro” é grave. Só que nada disto é muito sério: a sociedade ocidental precisa de bufões, denunciando inevitáveis injustiças. Sobretudo quando são hipócritas, como Moore.

Para Moore, o “capitalismo é o Mal”, e “o Mal não se reforma, erradica-se”. Por isso, tem de ser “substituído pela democracia”. Será que Moore dirige os seus filmes de forma “democrática”? Quantos colaboradores já despediu? Será que a Paramount, que distribui o filme, é uma democracia? A oposição capitalismo-democracia é absurda. De facto, as empresas (como a família ou a escola) não são democráticas. Mas a oposição legítima é entre capitalismo e socialismo (que o toque da Internacional precisamente sugere). Ora, no socialismo, as empresas eram geridas de forma ainda mais autoritária. Já quanto ao “complexo político-financeiro”, Moore tem razão. Mas é a negação do capitalismo, pelo menos na sua versão liberal. O “complexo” até é bastante democrático, envolvendo políticos democraticamente eleitos. E mesmo um pouco socialista.

Moore é um típico produto capitalista: escolhe temas de choque e faz fortunas com isso. Vive tão bem do capitalismo que, de certeza, não o quer destruir. Um hipócrita, portanto.

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