Abel e o monstro

Uma coisa que me interessa nos ateus confessos é a sua obsessão com a religião. Para eles, a religião é uma colecção de disparates, mas parece que não conseguem deixar de pensar neles. Saramago, por exemplo, que a ela regressa no seu próximo livro. Segundo ele: “tenho assumido que Deus não existe, portanto não foi esse o meu recurso durante a gravíssima situação [doença] em que me encontrei”. Não quero fazer interpretações abusivas, mas quem diz isto pensou por um instante que fosse no que terá valido a sua vida perante “deus”.

Segundo se percebe, a ideia de Saramago é redimir Caim do assassinato do irmão. Há tanta coisa interessante na história de Caim e Abel: o assassinato, o sacrifício (duplicado no cordeiro e em Abel), a desobediência, o despeito, o castigo, a salvação, a inocência e o pecado… Mas duvido que uma pessoa que reduz o Antigo Testamento a “um conjunto de absurdos, produzido ao longo de gerações e gerações” seja a indicada para sobre elas produzir prosa muito válida.

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