Problemas

(Publicado no jornal Meia Hora, 4/6/2009)

Há cerca de um ano, a piada era que a melhor aliada de Sócrates era Manuela Ferreira Leite. Entretanto, com o Professor Vital a tentar entusiasticamente ultrapassar os disparates do Doutor Moreira, parece que o melhor aliado de Manuela Ferreira Leite é mesmo o Professor Doutor Vital Moreira.

De facto, as inconsistências no apoio à recandidatura de Barroso, o alvitre de um “imposto europeu” (quem não adora impostos? Quem não vai logo, frenético, a correr votar em quem propõe um novo imposto?) e, ultimamente, a denúncia da “roubalheira” do BPN devem ter deixado o primeiro-ministro descoroçoado. Imagine-se o estado de ansiedade daquele coração, todos os dias à espera da próxima iluminação do professor de Coimbra. A espantosa inabilidade do candidato do PS tornou concebível algo que não se imaginava ainda há duas semanas: uma vitória do PSD nas eleições europeias. Não é garantido que aconteça, mas já esteve muito mais longe e já obrigou o próprio primeiro-ministro a vir meter-se ao barulho, o que a prudência não aconselhava.

Claro que nem tudo depende da campanha negativa do PS contra si próprio e do problema em que o candidato se tornou. Depende também de algo que ninguém já esperava: a capacidade deste PSD moribundo em produzir um candidato como Paulo Rangel. Desta vez não veio a Manuela, o Santana, o Menezes ou o Passos do costume, mas alguém relativamente jovem para os padrões da actividade, com suficiente energia para se entusiasmar e entusiasmar os outros. Significativamente, Passos lá veio fazer o seu número favorito: ajudar um bocadinho o PS. Em certo sentido, Rangel é também um problema para a direcção do PSD, ao mostrar em poucas semanas como é possível fazer com êxito exactamente o contrário daquilo que ela faz. Este é o grande problema da tese do arrasto: aquela que diz que o resultado das europeias poderia “arrastar” o PSD para um bom resultado nas legislativas. Mas uma vez Rangel confortavelmente instalado em Bruxelas, o que acontece? Regressa o velho ramerrame?

Rangel mostrou que, afinal, ainda era necessário contar com o PSD. Ele veio mostrar que talvez não seja preciso assim tanta coisa para tornar o PSD num partido funcional: um bocadinho de vontade, um bocadinho de agressividade e uma ou outra ideia vaga e nem sequer muito interessante. Mesmo a imagem, que não é famosa em Rangel, parece ser um obstáculo inultrapassável. A tese do arrasto ainda pode vingar, mas para isso o PSD precisa de aprender qualquer coisa agora.

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