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(Publicado no jornal Meia Hora, 19/3/2009)

Está a chegar a época eleitoral, com o prato forte em Outubro, quando se votar para parlamento e governo. Embora faltem sete meses, já é possível estabelecer cenários aproximados. Tal como as coisas se apresentam, o PS parece estar a caminho de uma vitória. A grande dúvida está em saber se com maioria absoluta ou não. Neste último caso, colocam-se quatro hipóteses:

1. Governo com base em maioria relativa, fazendo acordos episódicos para passar orçamentos e outra legislação. Em ambiente de crise, não é fiável. A qualquer altura, o apoio crucial pode faltar e pode até gerar-se uma coligação negativa para derrubar o governo.

2. Governo (de coligação ou acordo parlamentar) com o BE. O BE também não é fiável. Há por lá umas secções “realistas”, dispostas a arcar com as responsabilidades do poder. Mas nunca se sabe quando sucumbem às tendências “de protesto”, que são o código genético do BE. O risco de inviabilização é alto.

3. Governo (de coligação ou acordo parlamentar) com o CDS. Admitamos que o CDS até possa ser fiável. Mas o que acontecerá no dia em que o PS, para satisfazer a clientela mais à esquerda, decidir lançar a causa dos “casamentos gay” ou da eutanásia? O CDS não pode, sem risco de trair em definitivo o código genético, continuar a viabilizar tal governo. O risco também é grande.

4. Bloco Central. É a mais segura das soluções. Basta invocar uma situação de “emergência nacional” – o que não será difícil, dada a crise. Toda a gente reage mal a este género de “situação pastosa”. Mas lembre-se que, na crise de início dos anos 80, foi o Bloco Central que fez a política dura do reequilíbrio das contas. Com os dois partidos cometidos a funções de “salvação nacional”, o resto passa efectivamente por barulho de protesto. O problema está, claro, na apropriada distribuição de poderes e sinecuras, e no aparecimento de uma qualquer janela de oportunidade para um dos partidos ir sozinho.

Note-se que nada de especial muda se admitirmos que o PSD ganha. Na verdade, até com menos hipóteses, pois o cenário da maioria absoluta quase não vale a pena colocar.

Nós bem sabemos que o Presidente da República não é pessoa para se intrometer muito nestas coisas. Até porque seria a melhor maneira de perder o capital de credibilidade de que ainda dispõe. Mas eis aqui um conjunto de cenários que, independentemente da sua vontade, tornam quase inevitável mais acção. Mas o que pode ele fazer perante as situações acima? Ou há mais soluções a tirar da cartola?

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