Os últimos homens

O caos grego parece-me sobretudo um episódio trágico. Mas, como de costume, a esquerda consegue transformar histórias tristes como esta em mais uma gloriosa luta revolucionária. Ainda não consegui ouvir uma ideia original, uma ideia interessante (sequer qualquer ideia) da boca dos “jovens revolucionários” de Atenas. A única coisa que se tem visto é aquela atitude niilista típica do último homem de Nietzsche: o homem que não tem responsabilidades para com nada nem ninguém, a não ser para consigo próprio e nem sequer sabe bem para quê. Como de costume também, há sempre pessoas disponíveis para oferecerem uma narrativa coerente a estes grupos politicamente informes: que é a corrupção e a falta de emprego que os move. Lá está, tirada a tralha niilista, sobrariam então os bons objectivos pacatos e burgueses: a punição dos que ganham dinheiro indevidamente e um trabalhito. A ser verdade, é trágico que estes “jovens” achem que têm de partir tudo para conseguir coisas tão corriqueiras. Mas se são coisas tão corriqueiras que querem, não será dali a vir a sociedade utópica do futuro. A sociedade burguesa e capitalista traiu-os. Pelos vistos, eles só querem regressar a casa.

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