Archive for Dezembro, 2008

2009, Année Érotique (to say the least)

Dezembro 30, 2008
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Christmas Blues

Dezembro 23, 2008

É a crise

Dezembro 23, 2008

É a crise: vi hoje hoje um homem do Grupo 8 a embrulhar caixinhas de bombons num supermercado.

Juntar as mãozinhas outra vez

Dezembro 23, 2008

(Publicado no jornal Meia Hora, 18/12/2008)

Há um ano, a fechar 2007, escrevi para aqui um artigo chamado “Juntar as mãozinhas”. Nele se dizia que “o ano não acaba bem, pelo menos na frente económica”. Sendo o panorama tão pouco animador, concluía: “para o ano resta, portanto, juntar as mãozinhas e rezar”.

O conselho não terá sido seguido, ou pelo menos não funcionou. Tudo piorou desde então. Por mais pessimista que então estivesse, estava também longe de imaginar que chegaríamos à actual situação, em que muito bom espírito sugere que possamos a estar a viver a Grande Depressão das actuais gerações. Mas pior ainda foi a destruição sistemática, no espaço de meses, de alguns princípios que definem as democracias capitalistas. No essencial, descobrimos que o sector financeiro é irresponsável, no sentido em que não é responsabilizável por nada. De uma ponta à outra do mundo, os sectores financeiros foram salvos incondicionalmente, não obstante se terem envolvido em actividades de enorme risco. Um efeito imediato foi a sucessão de pedidos de salvamento para os mais diversos sectores. Na ausência de explicação convincente sobre porque é que pelo menos alguns bancos não faliram, o mesmo tratamento começou a ser legitimamente pedido por todo o lado. Mas houve ainda pior, nomeadamente o desaparecimento do papel moralizador das falências. O sistema dito capitalista pressupõe uma certa desigualdade. Ela é, no entanto, justificada pelo facto de empresários e gestores terem uma presumível maior capacidade de gestão e também uma maior apetência e capacidade para arriscarem no investimento em determinadas actividades. O seu rendimento superior seria, assim, uma espécie de prémio de risco. Ora, um grande número deles não só não revelou grande capacidade de gestão como não foi responsabilizado pelos seus trágicos erros.

Não se pode passar o tempo a pedir disciplina, sobriedade e sacrifícios aos outros e depois recusar o padrão para si próprio. Por isso o risco agora já não é só económico: se a democracia passa a ser vista como um sistema de protecção social de ricos ineptos e irresponsáveis, ninguém se sente obrigado a deveres para com ela e é ela própria que está em perigo. Na Grécia já se incendiaram as ruas. Sempre teria a beleza de um ciclo: foi lá que a ideia democrática começou, também lá acabaria. Mas já outros países copiaram o exemplo.

É voltar a juntar as mãozinhas, agora não só pelo nosso bem-estar económico como também político. 

Mudar o disco

Dezembro 16, 2008

1) Um governador próximo da entourage política de São Obama está envolvido num escândalo de corrupção. As ramificações vão chegando cada vez mais perto do próprio anjo na terra;

2) Um financeiro próximo dos Democratas, com excelentes ligações ao poder dominado por eles (o Congresso), é apanhado num belo esquema de Dona Branca;

Consequência: toda a gente fala dos sapatos atirados a Bush.

Não se importavam de mudar o disco só por um bocadinho?

Os últimos homens

Dezembro 16, 2008

O caos grego parece-me sobretudo um episódio trágico. Mas, como de costume, a esquerda consegue transformar histórias tristes como esta em mais uma gloriosa luta revolucionária. Ainda não consegui ouvir uma ideia original, uma ideia interessante (sequer qualquer ideia) da boca dos “jovens revolucionários” de Atenas. A única coisa que se tem visto é aquela atitude niilista típica do último homem de Nietzsche: o homem que não tem responsabilidades para com nada nem ninguém, a não ser para consigo próprio e nem sequer sabe bem para quê. Como de costume também, há sempre pessoas disponíveis para oferecerem uma narrativa coerente a estes grupos politicamente informes: que é a corrupção e a falta de emprego que os move. Lá está, tirada a tralha niilista, sobrariam então os bons objectivos pacatos e burgueses: a punição dos que ganham dinheiro indevidamente e um trabalhito. A ser verdade, é trágico que estes “jovens” achem que têm de partir tudo para conseguir coisas tão corriqueiras. Mas se são coisas tão corriqueiras que querem, não será dali a vir a sociedade utópica do futuro. A sociedade burguesa e capitalista traiu-os. Pelos vistos, eles só querem regressar a casa.

Bombaim e mais além

Dezembro 16, 2008

(Publicado no jornal Meia Hora, 11/12/2008)

Não foi a primeira vez que Bombaim serviu de alvo a um ataque islamita coordenado. Em 1992, num só dia, 10 bombas rebentaram na cidade, como represália pelos linchamentos hindus aos muçulmanos, na sequência do incêndio da mesquita de Aydohia, suposto lugar de nascimento de Rama. Muçulmanos violentados puderam, depois das bombas  (nas palavras de um deles), voltar a “andar de cabeça erguida”.

Passar o ataque a Bombaim para a leitura mais vasta que o liga ao jihadismo global contra o Ocidente esquece a dimensão local. Não é que essa leitura não deva ser feita (já lá iremos). É que ela entende-se melhor entendendo a local. Lembre-se que, à altura da independência, a Índia esteve para ser aquilo que são hoje três países (o Bangladesh, o Paquistão e a própria Índia), os quais se separaram em torno da religião. A ideia original do Congresso de uma Índia multiétnica e multirreligiosa, foi logo bastante amputada à partida. Assim nasceram uma Índia maioritariamente muçulmana (os Paquistões: o Bangladesh era o Paquistão Oriental até 1971) e uma maioritariamente hindu. À medida que a ideia secular do Congresso se confundiu com uma certa elite perpetuando-se no poder, cresceu o integrismo hindu, expresso inicialmente no BJP mas colonizando cada vez mais o próprio Congresso. Hoje é grande a tentação de criar uma Índia religosamente pura.

Atacar a Índia é, em termos do jihadismo internacional, tão eficaz quanto atacar os EUA. A opressão dos muçulmanos, as memórias sangrentas da “partição” e a velha questão de Cashemira garantem imediato êxito até entre muçulmanos moderados. O que é crucial para um objectivo ulterior: minar o esforço militar da NATO no Afeganistão. De resto, ainda no domingo e na segunda, a própria NATO foi atacada no Paqusitão. A eficácia da NATO depende da preservação da rectaguarda logística do Paquistão e da preservação de uma Índia moderada e plural. Um conflito entre a Índia e o Paquistão ou a ascensão do integrismo hindu desguarnece essa rectaguarda, podendo mesmo tornar inviável a presença da NATO.

Tudo, no final, com um objectivo: testar o presidente-eleito dos EUA. O 11/9 foi o teste a Bush, um isolacionista de instinto. Para surpresa de muitos, Bush atacou. Hoje, os EUA ajudaram a construir uma democracia no Médio Oriente e ganharam um aliado (o Iraque). Os testes a Obama vão continuar. Fará ele o que Bush não fez, diminuir as responsabilidades americanas? Sim ou não? E em qualquer dos casos, o que se passará depois?

Sobriedade

Dezembro 11, 2008

O escândalo do governador do Illinois é, para o obamismo beato que parece ser a religião oficial dos nossos dias, um bom sinal de sobriedade. Obama vem do meio político de Chicago, provavelmente o mais célebre caldo de corrupção dos EUA (democrata, por sinal). Para chegar onde chegou, Obama teve de navegar por ali. Não se sabe qual o seu envolvimento nesta história concreta (até agora, parece que nenhum), mas sabe-se do envolvimento de pelo menos um dos seus conselheiros de campanha (Jesse Jackson Jr.). É também um sinal de sobriedade porque parece que, ainda antes de ser presidente, os republicanos já arranjaram um tema por onde minar o seu mandato.  Não se queixem. Andaram oito anos a fazer guerra civil ao anterior presidente: que ele era estúpido, que tinha ganho as eleições de forma fraudulenta, que era corrupto (pois estava nas mãos dos interesses do petróleo e da Halliburton e de mais não-sei-bem-quê), que tinha fugido à tropa, que tinha mentido (sobre as ADM e muitas outras coisas), que tinha feito trinta por uma linha. Isto não se faz sem consequências. Os republicanos não vão certamente perder uma oportunidade que seja.  Esta deverá ter sido apenas a primeira.

Ainda a latino-americanização da Europa

Dezembro 10, 2008

Na Grécia, continua a pancada nas ruas. Como é tradicional, os histéricos revolucionários do costume já começaram a farejar aqui uma “nova revolução”, um “novo Maio de 68”. Daí que o Politécnico de Atenas apareça já como o “símbolo da rebelião moderna”.

Enfim, foi nisto que a sociedade contemporânea degenerou: de um lado, a habitual colecção de cromos dos lenços palestinianos e das t-shirts do Che, irresponsáveis em tudo o que fazem; do outro, os engravatadinhos da banca de investimentos e outros negócios, que a única coisa que souberam fazer quando a vida lhes correu mal foi pedinchar dinheiro a nós todos, recusando-se a assumir as suas responsabilidades – irresponsáveis também, portanto.

No meio dos entusiasmos revolucionários, aproxima-se uma situação um bocadinho mais triste:  a Grécia é um daqueles países da eurozona cujo risco da dívida pública cresce todos os dias; estas manifestações não oferecem nenhuma garantia sobre a estabilidade do país e, portanto, são sinal para alguns capitais considerarem a hipótese de sair para outras paragens; consequência: maior e mais arriscada dívida. Ninguém se admire se a Grécia for o primeiro país da eurozona a não conseguir pagar a sua dívida. Meus amigos, vale a pena continuar a orar: algum dia as más notícias acabarão.

Save the cheerleader…

Dezembro 10, 2008

Também gosto bastante da cheerleader.