Hoje de manhã ouvi o Presidente da Comissão Europeia insistir que tudo tinha “começado nos EUA”, de resto repetindo a gracinha de Sarkozy durante o fim-de-semana e de muitos outros magníficos líderes europeus. Está-se a ver a implicação, não é verdade: “nós, maus? Não, é tudo culpa dos americanos”!
Entretanto, já hoje começaram a sair números sobre as ajudas estatais europeias aos respectivos sectores bancários: só na Alemanha foi hoje anunciado um plano do mesmo valor do Plano Paulson; se juntarmos o plano britânico, mais as nacionalizações já feitas, mais as ajudas espanholas, mais as portuguesas, etc., etc., etc. temos uma coisa de proporções bíblicas. Para quem não tem a culpa, o volume de responsabilidades é um pouco grande demais…
Como de costume, atirar a culpa para cima dos americanos é a melhor cortina de fumo para alijar responsabilidades. Tudo isto é muito claro: o muito responsável, regulado e intervencionado capitalismo de rosto humano europeu meteu-se num buraco equivalente (arrisco-me a dizer ainda maior) do que o capitalismo selvagem americano. Com uma desvantagem: passa a vida a atirar as culpas para outros.