Archive for Maio, 2008

9 to 5

Maio 27, 2008

Uma bonita cidade, Washington. Mas estou em trabalho. Nao vou visitar muito, nem escrever.

O peso dos acentos

Maio 27, 2008

Faltam-me acentos.

O peso da Historia

Maio 27, 2008

Levantei num aeroporto chamado JFK, aterrei noutro chamado Reagan, para chegar a um cidade chamada Washington. Presumo que seja isto o peso da Historia.

A bolha da habitação e a bolha do pão

Maio 20, 2008

(Publicado no jornal Meia Hora, 15/5/2008)

Para uma sociedade laica, acreditamos muito em apocalipses. Não há dia em que não apareça alguém a anunciar o fim do mundo. É o caso famoso do apocalipse ambiental. E agora é o apocalipse da fome. Até há uns meses, havia comida para toda a gente. De repente, deixou de haver, os preços sobem e logo se chegaram à frente inúmeros profetas explicando que a culpa era do nosso modo de vida (capitalismo, urbanização, industrialização, aquecimento global, os culpados do costume).

Como é que no espaço de meses se passou da abundância para a mais extraordinária escassez talvez fosse algo a explicar. Mas não parece haver muita gente interessada em fazê-lo. A coincidência com a crise financeira merece ser sublinhada. A especulação com os preços dos produtos alimentares tem-se oferecido como o refúgio de instituições financeiras a braços com a desvalorização dos seus activos imobiliários. Cá está o ponto em que os amigos do mercado se voltam a sentir embaraçados com o comportamento destas instituições. Depois da bolha imobiliária, ei-las apostadas na bolha alimentar. É triste, porque muito disto não tem que ver com o mercado. Ou tem, mas apenas na medida em que a sua função disciplinadora não funcionou na bolha imobiliária. Quando ela rebentou, as autoridades monetárias das principais áreas económicas vieram a correr salvá-las. Tratou-se de um prémio à imprudência, que elas agora estão a repetir com a comida. Quando a oferta alimentar for superabundante, a bolha rebentará, os preços vão cair e todos aqueles empresários e agricultores que investiram na agricultura apostando na continuação dos preços altos confrontar-se-ão com a falência. Entretanto, os bancos centrais virão outra vez salvar as instituições financeiras, sob pretexto de serem demasiado importantes para fecharem. É a perpetuação da impunidade.

A falência de alguns imprudentes não faria mal nenhum ao sistema financeiro. Se a preocupação das autoridades é com as pessoas comuns, então em vez de subsidiar os bancos em dificuldades de forma indiscriminada, haveria outras maneiras de ressarcir os depositantes, as quais premiassem as instituições prudentes e castigassem as imprudentes. Assim, não há razão para ter cuidado. O papá Estado lá estará para salvar.

Debaixo do passeio, o quê?

Maio 9, 2008

(Publicado no jornal Meia Hora, 8/5/2008)

Tal como a Revolução Francesa, Maio de 68 é um daqueles acontecimentos tipicamente franceses que a França apresenta como o acontecimento mais importante da História da humanidade. A Revolução Francesa foi a última das três grandes revoluções “liberais” (depois da inglesa e da americana); Maio de 68 apareceu no final de duas décadas de profundas transformações. A Revolução Francesa (em nome da libertação da humanidade) engendrou o terror jacobino e o império de Napoleão; Maio de 68 identificou-se com algumas das mais autoritárias soluções políticas (como o maoísmo e outros derivados comunistas). Tal como na Revolução Francesa, os franceses não fizeram o que julgaram estar a fazer.

As coisas verdadeiramente importantes desses tempos deveram menos àquelas semanas de tumulto do que aos contributos do crescimento económico capitalista (que trouxe uma prosperidade jamais antes vista), da indústria farmacêutica (que trouxe a pílula) ou da indústria discográfica (que trouxe Elvis, os Beatles, os Rolling Stones ou Bob Dylan). Graças a tudo isto, o modo de vida da juventude estava em plena mutação. De resto, Maio de 68 introduziu neste quadro uma dimensão política que apenas confundiu as coisas. Enquanto as mudanças sociais e culturais podiam perfeitamente ser acomodadas pela sociedade burguesa (como aliás foram), o que eles recusavam era a sociedade ocidental no seu todo. Muitas vezes em nome de nada (o que politicamente também significava nada), outras vezes em nome de soluções políticas repugnantes.

A verdade é que o capitalismo adoptou perfeitamente estes seus filhos então rebeldes. Passaram 40 anos e, hoje, são eles os burgueses instalados. Muitos governam-nos, outros lideram empresas, outros vivem uma pacata vida próspera. As suas causas tornaram-se as causas convencionais de hoje. É isso que explica que o nosso jornal diário de referência trouxesse no outro dia um longo suplemento de celebração beata do evento. E é isso que explica que Cohn-Bendit, lucidamente, peça para esquecer Maio de 68. Porque, diz ele, “ganhámos”. É por terem ganho que as comemorações têm um ar tão estafado de efeméride oficial. Eles julgaram estar a abolir o capitalismo. Afinal, estavam só a criar uma sua nova encarnação. Mas não o perceberam à época. Será que hoje já o perceberam?

Não foi para isto que se fez o Maio de 68

Maio 5, 2008

Sob o passeio, a Nossa Senhora?

O método Freitas do Amaral

Maio 5, 2008

O jogo de futebol da liberdade: Tibet x Padânia.