O sexo e a cidade

 

Mete a América, a esquerda e sexo. Só podia dar disparate. Sucedem-se as interpretações acerca do trágico destino de Eliot Spitzer, até ontem Governador de Nova Iorque. Para além do freudiano acto falhado do Público, ao colocar Eliot Spitzer na direita republicana e hipócrita (ele que é um dos políticos mais à esquerda no Partido Democrático), os argumentos andam em torno da irrelevância da “vida privada” para a “vida pública”.

Era bom que o mundo fosse assim simplezinho para aplicarmos a nossa piscadela de olho liberal, sobretudo quando se trata de costumes. Eliot Spitzer construiu a sua carreira (enquanto Procurador-Geral do Estado de Nova Iorque) denunciando a imoralidade de Wall Street e o crime organizado da cidade. Neste aspecto, destacou-se por combater redes de prostituição, cujas ligações ao crime organizado e à lavagem de dinheiro tentou demonstrar.

Um político que constrói a sua reputação denunciando a imoralidade do dinheiro de Wall Street e depois gasta numa noite aproximadamente 2.000 Euros com uma prostituta parece politicamente inconsistente. E um político que constrói a sua reputação combatendo redes de prostituição, sobretudo por causa das suas ligações ao crime organizado, e depois as usa por sistema também parece politicamente inconsistente. Nada disto tem que ver com a vida privada. Ou só tem na medida em que certos aspectos da vida privada de Spitzer se tornaram pública e politicamente relevantes.

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