De ontem para hoje

Victor Hugo, em Choses Vues, conta como na sessão parlamentar de 31 de Julho de 1848, durante a II República francesa, viu Proudhon subir à tribuna para oferecer a sua solução para a “questão social”:

“Vimos aparecer na tribuna um homem de mais ou menos quarenta e cinco anos, louro, com poucos cabelos e grandes suiças. Estava vestido com um colete negro e uma sobrecasaca negra. Não falou. Leu. Tinha as suas duas mãos crispadas no veludo vermelho da tribuna, com o manuscrito entre elas. Tinha um som de voz vulgar, uma pronúncia comum e rouca, e usava óculos. Ao princípio foi escutado com ansiedade, depois a assembleia explodiu em risos e murmúrios. Finalmente, cada um pôs-se a conversar. A sala esvaziou-se e o orador terminou em plena desatenção aquele discurso começado no meio de uma espécie de terror”.

E então? Então, nada. Mas é sempre engraçado constatar a diferença entre o impacto de um homem na sua época e na posteridade.

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