Words, words, words

É muito engraçado verificar a quantidade de preciosistas que se multiplicaram ultimamente. De repente, parece que é preciso muito cuidado com as palavras: que Chávez não é um “ditador”, que a Venezuela é uma “democracia” e que a comunicação social na Venezuela é “livre”. Tudo coisas francamente demonstradas pelo facto de os resultados do referendo constitucional terem sido “respeitados”.

As mesmas pessoas para quem, cinicamente, todos os presidentes americanos (com a possível e hipotética excepção futura de Obama) são fascistas em crisálida, senão mesmo já fascistas em actuação, para quem os evangélicos americanos não passam de nazis encartados, para quem o rei de Espanha é mesmo fascista (porque é rei, porque foi “posto lá” pelo Franco e porque quis proibir a capa de uma revista), para quem Durão Barroso é praticamente um genocida (por ter cooperado com a invasão do Iraque), transformam-se em verdadeiros ingénuos políticos. Que Chávez tenha já concentrado poderes, restringido liberdades, que pressione a comunicação social, que acumule umas boas centenas de presos políticos passa a ser irrelevante. Que tenha perdido o referendo apesar disso tudo e não porque oferecesse excelentes condições para a expressão da oposição também não importa muito. Porque temos de ter cuidado com as palavras: Chávez não é um “ditador” e a Venezuela é uma “democracia”.

Para além de irrelevante, eis uma maneira de pensar que não ajuda a entender o que se passa na Venezuela nem o que por lá se vai passar.

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