Archive for Novembro, 2007

Noventa anos que mudaram o mundo

Novembro 9, 2007

(Publicado no jornal Meia-Hora, 8/11/2007)

Passaram ontem noventa anos sobre a Revolução de Outubro. Chamou-se assim por força do calendário juliano que o velho império russo ainda seguia em 1917, embora fosse já Novembro de acordo com o gregoriano. Por causa dela nasceu o primeiro Estado comunista da História e por causa dela o comunismo espalhou-se por meio mundo, das Caraíbas à península coreana. Por causa dela milhões de pessoas morreram, estimando-se que vinte desses milhões se devam atribuir apenas à URSS. Por causa dela gerações de jovens se exaltaram e julgaram construir o paraíso na terra.

Que esta revolução suscite tão pouco entusiasmo hoje mostra como as paixões políticas são exactamente como as outras: arrebatadoras enquanto duram, recalcadas para sempre depois. Mas o cortejo de tragédias do comunismo talvez devesse permanecer na memória. Há anos, quando foi publicado O Livro Negro do Comunismo, logo surgiu a resposta com O Livro Negro do Capitalismo. O exercício era legítimo, já que afinal a História (do capitalismo e de tudo o resto) pouco passa de uma sucessão de tragédias. Mas também era errado, pois esquecia que o comunismo se apresentou como o regime para acabar com as tragédias da História da humanidade. Literalmente, pois com ele viria também o “fim da História”. E no entanto quase todos podemos ver que apenas acrescentou uma das mais trágicas páginas a essa História. Eis o que dá todo o sentido à ideia de Raymond Aron, para quem, em política, apenas se escolhe entre “o preferível e o detestável”. A democracia, o liberalismo, o capitalismo podem ser todos muito criticáveis, mas isso não autoriza a substituí-los pelo detestável. Não basta criticar o obviamente criticável. É preciso saber o que pôr no seu lugar.

A religião desempenha um papel cada vez menor na vida dos homens ocidentalizados, e foi substituída no século XX pela crença na salvação através da política. Enquanto antes os indivíduos pensavam salvar-se para além da morte recorrendo à piedade e a certos preceitos morais, o comunismo foi talvez o maior exemplo da crença na salvação na terra através de um regime político. Mas afinal ninguém se salvou cá em baixo por causa do comunismo. E no Além também não é de crer que o tenha feito.

Teoria e prática

Novembro 8, 2007

Como é adorável a esquerda

Novembro 8, 2007

Quem não se lembra da última vez que o fascismo esteve para voltar a Itália… Se não erro, foi para aí no ano passado, quando governava o “Cavalieire”, Berlusconi. Pobre “Berlusca”, fizesse ele um milionésimo do que o corrente governo de esquerda anda a fazer com os ciganos romenos e já a famosa “rua italiana”, com os seus lenços palestinianos, mais as restantes “ruas europeias” (que não perdem uma oportunidade de reiterar a sua amizade a Bush e à América), estariam em polvorosa.

Desde o fim da II Guerra Mundial que a Europa Ocidental não conhecia deslocações maciças de população por razões políticas. Agradecemos à esquerda italiana o regresso da barbárie. Para além do aspecto humanitário, é também interessante como a nova lei italiana se arrisca a pôr em causa a liberdade de circulação na Europa.

São coisas como estas que me fazem adorar tanto a esquerda. O que resta da esquerda? Na verdade, resta o que sempre existiu.

Foi bonita a festa, pá

Novembro 7, 2007

Nem de propósito

Novembro 7, 2007

As I look ahead, I am filled with foreboding; like the Roman, I seem to see “the River Tiber foaming with much blood”:

1. Crime

2. Castigo

¡Ole! ¡Ole! ¡Ole!: Nous sommes belges!

Novembro 6, 2007

Les Bruxellois inquiets ressortent le drapeau national.

Espanha una, da Catalunha a Melilla

Novembro 6, 2007

¡Viva el Rey, Melilla es española!

¡Ole! ¡Ole! ¡Ole!: ¡No somos españoles!

Novembro 5, 2007

O último rei de Espanha.

¡Ole! ¡Ole! ¡Ole!: ¡Somos españoles!

Novembro 5, 2007

O último rei de Ceuta.

A honestidade e a coragem

Novembro 4, 2007

Duas qualidades que devem estar muito sobreavaliadas são a honestidade e a coragem. Não há quem não as louve e quem não meça o comportamento dos outros por elas. Mas parece-me que são mais os que as louvam do que os que as praticam. Já ouvi muitas vezes dizer de outros que são “gajos com coragem”, que põem “a cabeça no cepo” e que são de uma “honestidade a toda a prova”. Mas pedir aos autores destas frases que acompanhem os “gajos com coragem” nos seus actos corajosos é uma quimera. Normalmente, batem-lhes nas costas e dizem: “vai-te a eles”, e “são precisos é mais gajos como tu”, e depois ficam na bancada do coliseu a ver o “gajo com coragem” a ser devorado pelo leões.

É capaz de estar certo. Talvez a honestidade e a coragem sejam benignas apenas em quantidades reduzidas. Há um livro, O Idiota, de Dostoievski, que se bem o entendi pretende mostrar a impossibilidade da coragem e da honestidade absolutas. O Princípe Mishkin, o herói do livro, não consegue comportar-se senão de forma absolutamente honesta, corajosa e bondosa, e à medida que o vai fazendo causa uma extraordinária sucessão de desgraças.

No entanto, há aqui um problema que convinha esclarecer e que é da família dos problemas de reversão infinita. Acreditar em Dostoievski significaria acreditar que ele estava a ser completamente honesto e corajoso. Mas é ele próprio quem nos pretende mostrar a impossibilidade disso. Ora, se não é possível, então ele não estaria a ser honesto e corajoso, e afinal a honestidade, a coragem e a bondade absolutas seriam possíveis.