A ordem

 

Será provavelmente em “The Secret Garden” que o padre Brown encontra o criminoso ideal: Valentin é francês, racionalista, humanitarista, ateu e anti-religioso. É também contra a pena de morte, razão pela qual luta, enquanto chefe da polícia, pela sua sistemática comutação. Nada disto impede Valentin de assassinar um americano rico (outro pormenor simbólico), acabado de converter ao catolicismo (idem) e pronto a ajudar a Igreja com uma enorme doação (idem).

Cada conto do padre Brown funciona como uma confissão. Que satisfação maior para o padre Brown do que obter a confissão de Valentin? Porque é isso que acontece: Brown não chega a denunciar Valentin, é Valentin quem primeiro se confessa.

Tal como a confissão, cada conto do padre Brown é uma pequena reposição da ordem num mundo feio e brutal, é uma recusa da tragédia e do absurdo. Claro que para repor a ordem é necessária a desordem primeiro, a tragédia e o absurdo. Uma não vai sem os outros. A confissão precisa do pecado e o pecado pede a confissão. É por isso que o padre Brown não é um homem bom. O padre Brown vive imerso no mal. E a única coisa que faz é tentar não sucumbir a ele.

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