Archive for Novembro, 2007

Ilustração

Novembro 30, 2007

A grande fome

Novembro 30, 2007

(publicado no jornal Meia-Hora, 29/11/2007)

Saiu discretamente na edição de domingo passado do jornal Público um pequeno artigo assinado por Mariya Dets, a Presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal. O propósito do artigo era pedir que a grande fome da Ucrânia de 1932-34, sobre a qual passam agora 75 anos, fosse reconhecida pela comunidade internacional como um genocídio. Não sei se os ucranianos virão alguma vez a ter sorte neste pedido, mas de uma coisa podemos estar certos: ele não é exagerado. Apesar de pouco conhecido, trata-se um dos mais horríveis episódios da História da humanidade, e pode contar-se brevemente.

Em 1931, o governo comunista da União Soviética lançou a segunda grande vaga (e a maior) de colectivização da agricultura. Gerou-se então uma natural resistência dos camponeses. Entretanto, a colheita do ano seguinte foi baixa. O governo, já em conflito aberto com os camponeses, atribuiu o fraco volume de cereais disponibilizado a acções de sabotagem e mandou requisitar toda a colheita de certas regiões, sobretudo da Ucrânia. Quase nada sobrou para a alimentação local. A isto acresceu a queima sistemática de aldeias, a execução de camponeses, o seu encarceramento em massa e a proibição de trânsito para fora das regiões requisitadas. O processo prolongou-se ainda na colheita dos dois anos seguintes. Terão morrido à fome e pelas armas, em estimativas evidentemente imprecisas, entre três e dez milhões de camponeses (homens, mulheres e crianças). A proporção do horror é clara se pensarmos que os campos de concentração alemães durante o período hitleriano foram responsáveis por um número de mortes idêntico (seis milhões).

A grande fome ucraniana foi apenas o mais brutal episódio do processo de colectivização da agricultura soviética. Uma das suas características adicionais foi o facto de ter estado na origem da expansão do gulag (o sistema de campos de concentração soviéticos). Ainda há menos de um mês se comemorou o nonagésimo aniversário da Revolução de Outubro, tendo até a esse respeito sido feitas considerações simpáticas (embora um pouco melancólicas) sobre o passado, o presente e o futuro do comunismo. É nestas alturas que vale a pena lembrar bem o passado. Passa-nos logo a simpatia. A melancolia é que, infelizmente, permanece.

A tradição ainda é o que era

Novembro 29, 2007

 

O constante ritmo de inovações com origem nos EUA faz-nos muitas vezes pensar neste país como uma espécie de triturador de tradições. Uma piada constante sobre os EUA é mesmo a de que são um “país sem história”. Não é verdade. A política americana ainda é guiada por dois documentos que foram escritos no século XVIII, ainda sobrevivem no ordenamento jurídico americano penas que datam do século XVIII (embora em espírito até possam datar do século XVI), os americanos adoram os símbolos nacionais como nenhum outro povo e cantam de pé o hino no início de todos os jogos de baseball. Em certa medida, os EUA são o país ocidental com mais História, onde a História mais se mistura com o presente.

Pode muito bem ver-se isto nos letterings e nos formatos dos grandes jornais americanos. Não há modernices nem designs arrojados, nem “alijeiramento da mancha de texto”. Nada disso. Os jornais americanos parecem praticamente saídos do século XIX.

…o que era

Novembro 29, 2007

…ainda é…

Novembro 29, 2007

A tradição…

Novembro 29, 2007

A ordem

Novembro 27, 2007

 

Será provavelmente em “The Secret Garden” que o padre Brown encontra o criminoso ideal: Valentin é francês, racionalista, humanitarista, ateu e anti-religioso. É também contra a pena de morte, razão pela qual luta, enquanto chefe da polícia, pela sua sistemática comutação. Nada disto impede Valentin de assassinar um americano rico (outro pormenor simbólico), acabado de converter ao catolicismo (idem) e pronto a ajudar a Igreja com uma enorme doação (idem).

Cada conto do padre Brown funciona como uma confissão. Que satisfação maior para o padre Brown do que obter a confissão de Valentin? Porque é isso que acontece: Brown não chega a denunciar Valentin, é Valentin quem primeiro se confessa.

Tal como a confissão, cada conto do padre Brown é uma pequena reposição da ordem num mundo feio e brutal, é uma recusa da tragédia e do absurdo. Claro que para repor a ordem é necessária a desordem primeiro, a tragédia e o absurdo. Uma não vai sem os outros. A confissão precisa do pecado e o pecado pede a confissão. É por isso que o padre Brown não é um homem bom. O padre Brown vive imerso no mal. E a única coisa que faz é tentar não sucumbir a ele.

Há lugares à rectaguarda

Novembro 27, 2007

O que é que foi?

Novembro 27, 2007

Douce France 3 (ainda com o patrocínio do Institut Franco-Portugais)

Novembro 26, 2007

Villiers-le-bel, de novo a renovação do parque automóvel.