Presunção de populismo

Vasco, prefiro efectivamente que as tuas considerações agora sejam sobre o meu (presumivelmente mau) gosto do que sobre as minhas intenções. Embora tu lá chegues outra vez às intenções (na parte sobre “populismo”)…

Seja como for, para não iniciar aqui uma daquelas discussões encaracoladas e intragáveis em que a blogosfera é pródiga, vou tentar ser breve e não debater ponto por ponto aquilo com que não estou de acordo no que dizes. Atenho-me só a duas coisas:

1 – Eu não tenho nenhuma “fezada”. Não sei o que aconteceu à pobre menina. Estou tão disposto a achar que os pais são inocentes quanto culpados. Limitei-me a fazer um exercício, que me parece até bastante neutral, partindo da suspeita da polícia, sendo que essa suspeita se confronta com um problema: a inverosimilhança. Na verdade, alguém podia pegar no meu texto, olhar para a enésima reportagem sobre os McCann (que são muito telegénicos) e dizer: “Não é possível! Eles não fizeram aquilo”. Eu podia ter escrito um texto ao contrário? Podia. Mas não escrevi. E isto prende-se com a segunda coisa:

2- A tua acusação de “populismo” parte da ideia de que, nestes casos, vale sobretudo a reserva  a que a presunção de inocência obrigaria e de que qualquer coisa indo para além disso é populismo, um acicate ao ódio popular. Não estou nada de acordo. Ao contrário da maioria dos escreventes em jornais e blogues (incluindo tu, peço desculpa), eu acho que a generalidade das pessoas não só sabe como raciocina em termos de presunção de inocência. Não falo dos “populares”, claro, que se põem a gritar à porta da polícia. Mas os “populares”, contrariamente ao que se julga, são uma minoria. As outras pessoas continuam a duvidar (por muito que algumas tenham, como dizes, “fezadas”). Ao contrário da tua visão paternalista e pedagógica, eu penso que é possível e interessante ir para além do silêncio a que a presunção de inocência nos remeteria. É possível não perder a ideia de presunção de inocência e, ao mesmo tempo, elaborar um pouco mais sobre o caso. Quando as pessoas são crescidinhas, é possível. Eu presumo que elas são crescidinhas. Talvez tu não.

Podes então passar a chatear o Mascarenhas.

PS – Não resististe à gracinha paternalista do TPC, que não existia na versão do teu texto que li hoje à tarde. Vês, até comigo és paternalista. Ainda bem. Pelo resto do texto cheguei a pensar que estavas a perder qualidades.

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