Soltem o muro

By Luciano

Tenho-me divertido imenso e, sobretudo, tenho de confessar uma coisa que parece que é incrível: em 1989 já era adulto, não era comunista e estava onde mais ou menos estou (enfim, talvez tivesse vergonha de dizer que não era de esquerda). A coisa diverte porque já vi de tudo (pelo menos pelo que eles dizem): confessos comunistas actuais que celebraram a queda do muro à época, comunistas da época que celebraram a queda do muro à época e, finalmente, os que desconversam (que incluem muitos dos anteriores), falando de “outros muros”. O que era o muro de Berlim comparado com o da fronteira entre os EUA e o México, o da fronteira entre Israel e a Palestina e o da fronteira entre “ricos e pobres”? Isto para não falar do “muro da Guerra do Iraque”, que já vi comparado com o gulag. Não existe muro da Guerra do Iraque? Não faz mal, arranja-se sempre mais um e a comparação já ouvi mesmo. A Rita Rato não sabe o que foi o gulag? Mas conhece estes muros todos de certeza.

Como diria Manuel Alegre: não foi para isto que caiu o muro de Berlim.

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