Archive for Outubro, 2009

Miss Ohio

Outubro 30, 2009

Whither PSD?

Outubro 30, 2009

Olha outro: ontem lá vi um bocadinho da entrevista de Rangel a Judite. Acho que vi a melhor parte, aquela em que Rangel acusou Passos Coelho de passar do “hiperliberalismo” (!!??) para o “Bloco Central” e aquela em que começou a esboçar o seu programa alternativo ao do PS: estabeleceu que o ponto fulcral desse programa deveria ser (1º andamento da 5ª sinfonia de Beethoven: tchan, tchan, tchan, tchan) a “convergência com a Europa”. Coisa que passaria por prestar particular atenção à “agricultura” (ou a “Lavoura”, como se gosta de referir noutras paragens) e (espanto dos espantos) as “pescas”. Judite, misericordiosamente, impediu-o de continuar e ficámos sem saber o resto: talvez uma particular atenção à “pecuária”. Até ontem, tinha Rangel numa óptima conta.

A campanha de publicidade mais barata da História

Outubro 30, 2009

Gente douta a sacar dos canhanhos para exibir a sua sabedoriazinha bíblica, gente simples indignada com as “ofensas” à sensibilidade religiosa popular, gente que tem sempre qualquer coisa para dizer, tudo a custo zero, e o resultado é simples: Caim de Saramago antinge a 4ª edição em dez dias. Parabéns à Editorial Caminho por tão rentável campanha de publicidade. Entretanto, continuamos sem falar do Saramago importante.

Não é assim que se fazem as coisas

Outubro 30, 2009

(Publicado no jornal Metro, 29/10/2009)

Aproxima-se novo ano e novo orçamento e logo começam os oráculos económicos. A receita é típica e este ano não foi excepção: economistas, empresários, banqueiros centrais e políticos recomendam “moderação salarial”. Faz lembrar um número estafado de circo: nada resulta? Moderem-se os salários. Este ano, no entanto, parece um pouco obsceno pedir-se moderação salarial. Gastaram-se os últimos dois anos a subsidiar bancos que fizeram decisões tragicamente erradas. Foi espantoso: ao primeiro sinal de resultados maus, os arrogantes banqueiros puseram-se em bicha, de gamela na mão, para receberem o apoio do contribuinte. Neste momento, o desemprego em Portugal vai nos 9%, a economia não cresce e o endividamento nacional chega a 100% do PIB. Em tudo isto, o sistema financeiro teve (e tem) culpas enormes. O preço está a ser pago agora e vai ser pago no futuro, por via da dívida. E vai ser pago também através da desautorização intelectual e política das medidas ditas “impopulares”, bem como da enorme redução da economia de mercado. Entretanto, com o regresso dos bons resultados (à conta dos subsídios estatais), os bancos são o último sítio onde a moderação salarial se pratica.

Sejamos claros: o sistema financeiro tal como está é uma ameaça maior à economia de mercado e mesmo à democracia do que um conjunto de ordeiros trabalhadores tentando levar o melhor salário para casa. Toda a gente compreenderia a necessidade de moderação se, noutros quadrantes, se visse responsabilidade. Os funcionários públicos portugueses aceitaram uma década de crescimento zero ou mesmo negativo do seu salário sem grandes protestos, porque compreendiam a necessidade de resolver o problema orçamental. Todos compreenderiam a moderação salarial agora, se houvesse uma reforma profunda do sector financeiro, que aliás está já a alimentar a próxima bolha (ou seja, a próxima crise) pelo mundo fora. Se salvaram os bancos, os contribuintes devem agora impor as suas condições.

Fall of the Republic

Outubro 27, 2009

Des-construir

Outubro 26, 2009

Embora não pareça, o Largo do Rato é uma bela praça. Enquadrada pelo Palácio do Marquês da Praia e Monforte (a sede do PS), o chafariz do jardim do Palácio Palmela (a Procuradoria-Geral), todos setecentistas, o convento das Trinas do Rato (do século XVII, mas com uma fachada do início do século XX), actualmente o Arquivo Municipal, o largo tem sido muito martirizado pelo trânsito. Agora querem martirizá-lo com mais um edifício (imagem), por acaso até da autoria de dois bons arquitectos. O projecto já foi chumbado na assembleia municipal, mas ameaça voltar, com mudanças ligeiras. O edifício não adianta nada à beleza da praça, que precisa aliás que tirem coisas de lá, mais do que acrescentar. Neste caso, penso que um considerável melhoramento consistiria em efectivamente demolir o edifício onde se pensa implantar o novo e deixar o espaço aberto (com um ajardinamento) até à sinagoga. Era uma boa ideia, por três razões: 1 – tornava a praça mais ligeira e aberta; 2 – abria-a para a fachada da sinagoga, que continua escondida; a fachada é escondida, por obrigação da lei da monarquia constitucional, que tolerou o regresso de judeus mas obrigava os templos não católicos a não terem fachada pública; seria a reparação de uma discriminação histórica; 3 – a sinagoga é um belo edifício de um excelente arquitecto português, Ventura Terra; acresce que abriria ainda a praça para um outro edifício de Ventura Terra (um dos mais bonitos de Lisboa), contíguo à sinagoga; ganhávamos todos com isto. Percebo que os arquitectos queiram construir. Mas também deveriam saber onde não construir.

Tomorrow Never Knows #9

Outubro 25, 2009

Dois países, um sistema

Outubro 23, 2009

Será que a ongoing vai comprar a Fox?

Quase toda a gente aqui é maluca

Outubro 22, 2009

Crescendo em público

Outubro 22, 2009

(Publicado no jornal Metro, 22/10/2009)

Diz-se que os votantes dos partidos de direita (PSD e CDS) se transferem entre si com mais facilidade do que os de esquerda (PS, PC e BE). Como toda a tradição, esta também só existe até desaparecer. A esquerda vem crescendo em público, revelando um comportamento mais maduro. Se as direcções continuam a tratar-se de gatunos para baixo, já os votantes transitam cada vez mais. Tudo começou pelos anos 90, quando bastiões comunistas (na periferia de Lisboa ou no Alentejo: Amadora, Loures ou Évora) passaram para o PS de forma duradoura. E a nível nacional o PS foi esvaziando o PC, enquanto o BE teve o efeito contrário, erodindo a margem do PS.

A este respeito, o último conjunto de eleições é muito interessante: a nível nacional, o BE roubou grande número de votantes ao PS. Mas logo a seguir, para a câmara de Lisboa, o PS esvaziou o BE até à insignificância, a que acresceram muitos votos do PC. Basta andar um pouco pelo país para ver como o velho mundo proletário e camponês deu lugar a uma generalizada classe média, muita dela com impecável boa consciência humanitária e de costumes. Estas pessoas ligam pouco a labéus partidários e já não têm raízes sociais que a prendam a um determinado partido. Bem pode António Costa “malhar” no BE; daí não resulta um comportamento óbvio dos votantes do BE: tanto fogem dele como depois lhe dão maioria absoluta. A esquerda vem criando um claro mecanismo de vasos comunicantes: para votar útil não há grandes complexos em votar PS; para protestar, também não há grandes problemas em largá-lo. Isto dá-lhe um largo potencial de votos, mas também o obriga a encostar-se à esquerda. O que desguarnece o centro. Caberia ao PSD aproveitar esta falta de representação. Mas para o fazer teria também ele de avançar com qualquer coisa capaz de atrair a vasta classe média nacional. E não será uma colecção de criaturas atribuindo-se muita importância a si mesmas e debicando-se violentamente num cinema perto de si que serão capazes de o fazer.


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