Não foi preciso passar muito tempo dos “cem dias” para se perceber uma coisa simples: ou a presidência Obama continua a mesma política externa psicanalítica (“o que é preciso é falar com eles”, “eles precisam é de um ombro onde se encostar”, “deixem-nos manifestar a sua agressividade”) e deixou de ter qualquer capacidade especial para determinar o estado da segurança no mundo, ou então adopta a postura do Bush do primeiro mandato, talvez ainda mais do que o Bush do primeiro mandato, para restabelecer a credibilidade.
Ouvi ultimamente muitos louvores à nova postura americana, que lhe dava grande margem de manobra. Mas a verdade é que fez exactamente o contrário. A administração não tem neste momento qualquer capacidade de reacção: muito simplesmente, ninguém acredita que Obama faça o que quer que seja contra o Irão ou a Coreia do Norte. Já no tempo de Bush não era assim: ninguém tinha a certeza se ele não ousaria realmente bombardear o Irão. Mesmo que depois não o fizesse, criava a dúvida: afinal não o fez no Iraque? Obama não tem este instrumento. E ou desiste dele ou o recupera rapidamente. Verdade se diga que já o fez no que toca à política de detenção dos prisioneiros de guerra. Mas a falta de clareza com que o fez mostra a hesitação. Mesmo assim, ninguém se surpreenda se vir por aí aparecer um dia um Obama todo belicista.