As falências são aquilo que permite ao capitalismo duas coisas: uma, obrigar as empresas a fazer melhor; quem não melhora (baixando os custos, aumentando a qualidade ou a produtividade) sai de cena; outra, introduzir uma certa moralidade no sistema: um sistema que fosse só despedimentos e flexibilização laboral e não punisse empresários ou gestores pelos seus erros não mereceria efectivamente o apoio de ninguém a não ser dos interessados.
Justamente, se há algo que distingue o capitalismo do socialismo é que no socialismo não há falências. Daí que tivesse de ser o sistema inteiro a falir, como aconteceu entre 1989 e 1991.
Gestores, feiticeiros financeiros e outros ases são normalmente uns grandes machos a explicarem ao comum dos mortais que têm de ser despedidos mas que eles próprios têm de ganhar salários e dividendos astronómicos, tudo em nome do “progresso económico”. O espectáculo que deram nos últimos meses, pedinchando salvação e subsídios ao Estado, é deprimente. Mais deprimente foi a correspondência do Estado, que os afogou em dinheiro, naquilo a que alguém já chamou um “Welfare State for bankers”. Parece que agora chegou ao fim. Time to be macho again.