Archive for Setembro, 2008

Ignorância e preconceito

Setembro 29, 2008

A crise financeira abriu as portas a tristes demonstrações de ignorância e preconceito. Criaturas que nunca tinham dedicado um átomo dos seus neurónios a questões financeiras descobriram-se especialistas instantâneos. Claro que o espectáculo ajuda: passámos anos a ouvir lições dos engravatadinhos da Goldman Sachs, e agora eles mostram esta extraordinária capacidade de gestão… Mas não vale a pena seguir as pisadas do seu amadorismo.

Em matéria de preconceitos então, foi um espectáculo fabuloso. Nem os mais discretos políticos se dispensaram da sua farpadinha contra os EUA. A Chanceler Merkel, por exemplo, há umas semanas (ou seria há meses?) respondeu mal ao secretário Paulson: que os EUA tratassem dos seus problemas, pois cá não havia nada disso. Hoje, foi salvo o Fortis por uma coligação de três Estados europeus, o primeiro banco da Europa continental, e o próximo poderá ser alemão (o Deutsche Bank). Se for preciso salvar o Deutsche, o Estado alemão não tem meios para o fazer. E a questão é: onde está o Estado europeu que os venha salvar? Talvez então Hank Paulson mande Merkel chuchar no dedo.

Good old days

Setembro 28, 2008

Good times

Setembro 28, 2008

Um facho do pior

Setembro 28, 2008

Depois deste post e deste, receio que o Luís Rainha se esteja a transformar num facho do pior (e não venhas com a piada de que só aprendes com os melhores, como eu).

Também vou pedir

Setembro 28, 2008

Acho que também vou pedir. Da maneira que anda a Euribor não é “prenda nenhuma”, é uma questão de salvação nacional.

Mais falhanços?

Setembro 26, 2008

Depois do presumível “falhanço dos mercados” estaremos agora a assistir ao falhanço do Estado em salvar-nos do falhanço dos mercados?

These are the days indeed!

Se não é o fim do capitalismo, até parece

Setembro 26, 2008

(Publicado no jornal Meia Hora, 25/9/2008)

Tem sido um espectáculo glorioso. Gestores, economistas, jornalistas financeiros, outrora tão cheios de auto-suficiência, vangloriando-se das suas proezas na selva cruel da finança, andam por aí praticamente a chorar implorando ao Estado que os salve. Não vale a pena dizer-lhes que se trata de premiar a irresponsabilidade e a imprudência. Pois, pois, a imprudência, mas onde é que está o dinheirinho? Não vale a pena lembrar-lhes os riscos inflacionários (e outros) destas medidas. Sim, a inflação, mas o que é a inflação quando se trata da própria sobrevivência do capitalismo, da civilização ocidental – e onde é que está o dinheirinho? Se eu soubesse que o capitalismo e a civilização ocidental estavam dependentes de semelhantes heróis já há muito que teria encomendado a alma ao Criador.

É bastante simples: de cada vez que um deles se lembrar de explicar que temos de baixar a despesa pública; de cada vez que se lembrar de sugerir uma reestruturação industrial que envia milhares de pessoas para o desemprego; de cada vez que sugerir contenção salarial, em nome do crescimento económico; de cada vez que explicar que o melhor é privatizar a segurança social e entregar-lhe as poupanças para um fundo de pensões; vamos todos rir-nos um bocado e depois pedir-lhe que vá brincar com o seu computador comprado no e-bay dos salvados da Lehman Brothers. Até se pode admitir que o resgate do sistema financeiro americano tenha de ser feita à conta das intervenções e dos gastos do Estado. Mas a partir de agora dispensamos as lições de liberalismo e virilidade, pelo menos da parte deles. Fora das torres de vidro dos bancos de investimento também há muita gente defendendo a liberdade dos mercados, que não ganhou nem um milionésimo do que eles ganharam e que, quando as coisas correram mal, assumiram as suas responsabilidades.

Claro que a culpa é tanto sua quanto de um Estado que lhes pediu que montassem um esquema capaz de gerar crescimento económico, casas baratas e consumo a crédito ao preço da uva mijona. Mas ser cúmplice de um crime não iliba ninguém. É também claro que o capitalismo continuará, graças ao engenho e à iniciativa de empresários e trabalhadores que desenvolvem as suas actividades e estão dispostos a assumir os benefícios dos riscos, mas também as suas consequências negativas. Mas não serão esses a ameaçar o capitalismo.

Sicko Wall Street

Setembro 25, 2008

Se os republicanos fossem os democratas e os papéis estivessem invertidos, Michael Moore já teria feito um filme documentando como a crise financeira não passa de uma grande cabala montada para derrotar Obama. Hmmm. E será que não foi mesmo uma grande cabala para derrotar McCain? Vocês sabem do que eu estou a falar…

Palin feia

Setembro 25, 2008

A avaliar pelas sondagens, a crise financeira foi a Sarah Palin de Obama. Apesar de tudo, é um bocado mais feia do que a original.

THESE are the days!

Setembro 24, 2008

Os tempos são fascinantes e divertidos: a esquerda de cá junta-se à direita estatista de cá para apoiar uma acção de Bush, eles que sempre odiaram Bush; por outro lado, a esquerda da América junta-se à direita não-estatista da América para criticar essa mesma acção de Bush, usando os mesmos argumentos da direita não-estatista de cá (e de lá). Entretanto, há os banqueiros e os financeiros, sempre muito adeptos do mercado livre, mas que agora imploram salvação do Estado. Quem disse que a História (e a comédia) tinha(m) acabado?


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