Está muito certo o Miguel Morgado. De resto, haveria bastante a dizer sobre as liberdade civis sob FDR. Só para acrescentar uns exemplos: foi durante a sua primeira presidência que se fundou o FBI, com a direcção entregue ao infame J. Edgar Hoover, famoso pelas suas perseguições a presumíveis comunistas e fascistas. Mas não era disto que queria falar. Queria apenas relembrar as dificuldades de Roosevelt para lançar os EUA na II Guerra Mundial. Roosevelt andou dois anos a tentar convencer o Congresso e a opinião pública americana de que o país teria de entrar na guerra. Lembre-se que a generalidade da elite americana (incluindo os comunistas, depois do Pacto Germano-Soviético) era pacifista, pelo menos no sentido de não entrar naquela guerra. Aliás, lembre-se que a generalidade da elite europeia o era e que, na Europa, apenas Churchill desempenhou um papel idêntico ao de FDR. Hoje, a II Guerra Mundial é apresentada como a guerra consensual, aquela que tinha de ser combatida. É interessante como à época era exactamente o contrário: de Chamberlain a Estaline e ao pai Kennedy, passando por toda a “gente civilizada” (como, salvo erro, disse AJP Taylor), não havia quem não quisesse negociar com Hitler.
