
Sempre ouvi dizer que a Guerra do Iraque era por causa do petróleo: será que é mesmo verdade?

Sempre ouvi dizer que a Guerra do Iraque era por causa do petróleo: será que é mesmo verdade?
(Publicado no jornal Meia Hora, 24/4/2008)
Afinal, talvez o mundo tenha subvalorizado Luís Filipe Menezes. Até quinta-feira passada ele era o bombo em quem toda a gente gostava de dar a sua pancadinha. De repente, provocou um verdadeiro terramoto político. Foi muito interessante constatar o pânico que encheu certas almas no seu próprio partido. Sem o saco de encher pancada, ficaram subitamente desprovidos de objectivo. Até quinta-feira, ele era uma espécie de usurpador que não merecia o lugar. Estava na hora de se ir embora. Quando se foi embora, cumprindo os desejos das ditas almas, passou a ser aquele que partiu de forma irresponsável.
Eis algo que não acontece por acaso. Até então, Menezes era acusado de tudo: de ser inconstante, de não ter programa, de defender isto e o seu contrário no espaço de 24 horas. Em suma, de ser vazio. A ideia implícita nestas acusações era a de que eles, os acusadores, sim, tinham programa. Mas quando Menezes se foi embora verificou-se que também eles eram vazios e que a única coisa que os enchia era encherem Menezes. Na realidade, com o seu gesto, Menezes confirmou o seu vazio, mas também revelou o dos outros. Já lá vai uma semana e ainda está para se ouvir uma ideia válida da parte daqueles que tanto o zurziram. E não é por falta de candidatos, que de um dia para o outro apareceram como cogumelos.
No PSD abunda o manobrismo e a remoção de tapetes. Falta é o trabalho que permita apresentar um programa político consistente. Esse trabalho não se faz andando por aí a bofetear o Menezes do dia mas antes estudando propostas. E há tanto por onde pegar: desde a reforma da despesa pública à reforma da segurança social, passando pela da fiscalidade e da administração pública, sem esquecer algumas ideias que ajudem a economia a sair da última década de marasmo, e muitas outras coisas que o espaço aqui não permite enumerar. Não admira que muitos votantes do PSD prefiram o PS de Sócrates. Pelo menos é o que as sondagens mostram: o PS mantém-se em torno dos 40%, enquanto a esquerda cresce (ou seja, foge do PS), chegando hoje aos 20% de votos. Só há um sítio onde o PS os pode ter ido buscar: ao PSD. Como as coisas se apresentam, é provável que assim continue a ser.

Em Inglaterra fazem-se museus sobre Roald Dahl. Em Portugal montam-se exposições sobre Saramago. Não comento.
A conversa passava-se na mesa do lado, no café. O homem, em estado de evidente excitação, descrevia à mulher o enredo de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago. No final, incitando ao apoiozinho, pergunta-lhe: “tem power ou não tem?”
Segue-se um breve silêncio incomodado, interrompido pelo homem: “eh pá, outro livro com uma granda power é O Alquimista, do Paulo Coelho”.
Esta conversa é mais esclarecedora do que parece.

Mais uma mortificação francesa: uma exposição fotográfica mostra a vida agradável dos parisienses durante a ocupação nazi (iam ver o Conde de Monte-Cristo ao cinema, por exemplo, como na fotografia). É um daqueles temas que toda a gente conhece mas é suposto calar. Toda a gente sabe das denúncias de judeus e da geral colaboração. Muita gente sabe, até, que Sartre, famoso compagnon comunista, escreveu em jornais colaboracionistas e apresentou duas peças (Les Mouches e Huis Clos) durante a ocupação.
Mas é uma estranha mortificação. Porque a verdade é que, por onde os nazis passaram, não deixaram apenas um rasto de morte, deixaram também um rasto de colaboração. Isto é verdade em toda a Europa central e de leste. Mais interessante ainda, é verdade em Inglaterra, onde ocuparam a ilha de Jersey. Apesar de a partir de Junho de 1940 a Inglaterra ser o único país em guerra com a Alemanha, não foi isso que impediu muitos islanders de colaborar com eles. É por serem tão poucos que há heróis.
(publicado no jornal Meia Hora, 17/4/2008)
Parece que afinal o mundo da economia e da finança não é tão diferente do futebol. Os treinadores costumam queixar-se por passarem, entre uma semana e a outra, de “bestiais a bestas” no coração dos adeptos. É o que está acontecer com Alan Greenspan, o antigo Presidente do Conselho de Governadores do Sistema da Reserva Federal. Ainda há meses ele era o “mago” que conseguia, apenas molhando o dedo e pondo-o ao vento, descobrir a direcção dos mercados, ou ler os números da produtividade nas folhas do chá. Entretanto, terá passado de bestial a besta, pois se antes era o grande artífice do crescimento económico americano, agora passou a maior responsável pela crise económica e financeira.
Dá-me a impressão de que nem uma nem a outra coisas deverão ser exactamente verdadeiras. Por um lado, o sistema económico em que vivemos é feito destes ciclos. Este não é o primeiro ciclo negativo nem será o último. Quando se vêem declarações apocalípticas a propósito da crise vale a pena lembrar os anos 30 ou 70, quando se discutia seriamente sobre se essas não seriam as crises finais do capitalismo, no lugar do qual nasceria o comunismo. Entretanto, o que é feito do comunismo? Nem a prosperidade anterior nem a actual crise dependeram apenas da “magia” de Greenspan. A economia americana mantém virtualidades que certamente voltarão a manifestar-se.

Os nossos amigos de esquerda andam muito excitados com as fotografias da ministra da Defesa espanhola grávida passando revista às tropas. Cada um tem os seus fétiches favoritos.
Por mim, não quero entrar em polémicas, mas parece-me que a futura ministra (de não sei quê) do futuro governo Berlusconi, Mara Carfagna (ilustração acima), é bastante mais excitante.